quinta-feira, 12 de agosto de 2010

"É DE SILÊNCIO A NOSSA PAIXÃO"





Assim é o nosso amor


(Por: Marcos Woyames de Albuquerque)



Que sentimento é este
que afasta e atrai?
Que a cada minuto muda
e à consciência faz surda
e lá dentro do peito dói.


Que sentimento é este?
Que agride e acaricia,
Que quanto mais está perto,
Mais e mais nos distancia
E que quando a noite vem nos faz querer mais.


Que força estranha é esta?
Que nos impele ao aconchego
E ao sentir nos impede o apego.


É a mesma força que distante nos afeta
E afetados,
nos faz sentir falta,
a falta que este amor nos faz.


Se podemos sentir tão doído
este sentimento ardido
que nos faz corroer de ardor,
Seria este um amor bandido,
que em meu peito se faz tão sofrido
e que pede por ser amor?


São gritos a cada encontro.
São brigas que não tem fim.
São momentos de pura ternura,
De desejos de amor enfim.


Acho que é um amor distante,
que aproxima a cada instante
e nos faz querer mais.


Assim nosso amor se fez,
bandido mas é amor.
Não importa o tamanho da dor,
pois assim é o nosso amor.











terça-feira, 10 de agosto de 2010

"AMOR & AVERSÃO"









Posso escrever os versos mais tristes esta noite.


Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,

e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".

O vento da noite gira no céu e canta.



Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu amei-a e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a em meus braços.

Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.



Ela amou-me, por vezes eu também a amava.

Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.



Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.

E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.

A noite está estrelada e ela não está comigo.



Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.

A minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.

O meu coração procura-a, ela não está comigo.



A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.

Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.

Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.



De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.

A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.

É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.



Porque em noites como esta tive-a em meus braços,

a minha alma não se contenta por havê-la perdido.

Embora seja a última dor que ela me causa,

e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

domingo, 8 de agosto de 2010

SONHO À SE REALIZAR


Inconfesso Desejo

Queria ter coragem
Pra falar desse segredo
Queria poder declarar ao mundo
Esse amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Voce é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em seus braços
Perdidos pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatro ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

Carlos Drummonde de Andrade